Fronteiras da terra prometida

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Fronteiras da terra prometida

Mensagem  José Carlos Oliveira em Sab Maio 28, 2011 6:14 am

A mais antiga descrição dos limites de Canaã mostra que se estendia desde Sídon, no Norte, descendo até Gerar, perto de Gaza e até Sodoma e as cidades vizinhas, (Gên 10:19) No tempo de Abraão, porém, Sodoma e as outras “cidades do Distrito” parecem ter sido consideradas como separadas de Canaã. (Gên 13:12) Os posteriores territórios de Edom e de Moabe, habitados pelos descendentes de Abraão e de Ló, evidentemente também eram considerados como fora da terra de Canaã. (Gên 36:6-8; Êx 15:15) O território de Canaã, conforme prometido à nação de Israel, acha-se delineado em mais pormenores em Números 34:2-12. Evidentemente começava mais ao Norte de Sídon e se estendia ao Sul até ao “vale da torrente do Egipto” e Cades-Barnéia. Os filisteus, que não eram cananeus (Gên 10:13, 14), tinham ocupado a região costeira ao Sul da planície de Sarom, mas esta, também, tinha sido anteriormente “considerada” como terra cananéia. (Jos 13:3) Outras tribos, tais como os queneus (uma família deles sendo mais tarde associada com Midiã; Núm 10:29; Jz 1:16) e os amalequitas (descendentes de Esaú; Gên 36:12) também haviam penetrado neste território. — Gên 15:18-21; Núm 14:45.
A Bíblia não diz se os descendentes de Canaã migraram para esta terra e se estabeleceram nela logo após a dispersão em Babel (Gên 11:9), ou se primeiro acompanharam o grupo principal de camitas à África, e depois voltaram aos poucos para a região palestina. De qualquer modo, por volta de 1943 aC, quando Abraão deixou Harã em Padã-Arã e se dirigiu para esta terra, os cananeus estavam estabelecidos ali, e Abraão tinha certos tratos tanto com amorreus como com hititas. (Gên 11:31; 12:5, 6; 13:7; 14:13; 23:2-20) Abraão recebeu repetidas promessas de Deus, de que sua semente, ou descendentes, herdariam esta terra, e foi instruído a ‘percorrer o país no seu comprimento e na sua largura’. (Gên 12:7; 13:14-17; 15:7, 13-21; 17 Tendo por base esta promessa, e em respeito pela maldição de Deus, Abraão teve o cuidado de que a esposa de seu filho Isaque não fosse cananéia. — Gên 24:1-4.
A relativa facilidade com que Abraão, e, mais tarde, Isaque e Jacó, puderam movimentar-se nessa terra com seus grandes rebanhos e suas grandes manadas indica que a região ainda não era densamente povoada. (Gên 34:21.) As investigações arqueológicas também mostram evidências de uma colonização um tanto esparsa naquele tempo, a maioria das cidades pequenas estando situadas ao longo da costa, na região do mar Morto, no vale do Jordão e na planície de Jezreel. A respeito da Palestina na primeira parte do segundo milénio aC, W. F. Albright diz que a região montanhosa, na maior parte, não estava povoada por uma população fixa, de modo que a tradição bíblica está absolutamente certa em apresentar os patriarcas peregrinando pelos morros da Palestina central e pelas terras secas do sul, onde ainda havia bastante lugar para eles. (Archaeology of Palestine and the Bible - Arqueologia da Palestina e a Bíblia, 1933, pp. 131-133) Canaã, pelos vistos, estava sob certa influência e domínio elamita (e, portanto semita) naquele período, conforme indicado pelo registo bíblico em Génesis 14:1-7.
Entre as cidades em torno das quais Abraão, Isaque e Jacó acampavam estava Siquém (Gên 12:6), Betel e Ai (Gên 12, Hébron (Gên 13:18), Gerar (Gên 20:1) e Berseba (Gên 22:19). Embora os cananeus não pareçam ter demonstrado grande hostilidade para com os patriarcas hebreus, não obstante, a protecção divina foi o principal factor de estarem livres de ataques. (Sal 105:12-15) Assim, depois do ataque dos filhos de Jacó contra a cidade hevéia de Siquém, foi porque “o terror de Deus” sobreveio às cidades vizinhas que “não foram no encalço dos filhos de Jacó”. — Gên 33:18; 34:2; 35:5.
A história secular indica que o Egipto exerceu suberania sobre Canaã por uns dois séculos antes da conquista pelos israelitas. Durante este período, mensagens (conhecidas como as tabuinhas de Amarna) enviadas por governantes vassalos na Síria e na Palestina aos faraós Amenotep III e Aquenatão, apresentam um quadro de muitas lutas e intrigas políticas entre as cidades naquela região. Na época da chegada de Israel à sua fronteira (1473 aC), Canaã era uma terra de numerosas cidades-estados, ou pequeninos reinos, embora ainda mostrasse certa coesão, segundo as relações tribais. Os espias que sondaram a terra quase 40 anos antes acharam-na uma terra rica em frutos, e suas cidades bem fortificadas. — Núm 13:21-29; compare isso com Deut. 9:1; Ne 9:25.

Distribuição das Tribos de Canaã. Dentre as 11 tribos cananéias (Gên 10:15-19), os amorreus parecem ter ocupado uma das posições principais naquela terra. Além da terra conquistada por eles no Leste do Jordão, em Basã e em Gileade, as referências aos amorreus mostram que eles eram fortes na região montanhosa de Canaã propriamente, tanto ao Norte como ao Sul. (Jos 10:5; 11:3; 13:4) Talvez em segundo lugar, quanto à força, estivessem os hititas, os quais, embora encontrados tanto ao Sul quanto Hébron, no tempo de Abraão (Gên 23:19, 20), mais tarde parecem ter-se fixado principalmente no Norte, na direcção da Síria. — Jos 1:4; Jz 1:23-26; 1Rs 10:29.
Dentre as outras tribos, os jebuseus, os heveus e os girgaseus são as mais frequentemente mencionadas na época da conquista. Os jebuseus centralizavam-se evidentemente na região montanhosa em volta de Jerusalém. (Núm 13:29; Jos 18:16, 28) Os heveus estavam espalhados desde Gibeão, bem no sul (Jos 9:3,7), até ao sopé do monte Hermon, no Norte (Jos 11:3) O território dos girgaseus não é indicado.
As 6 tribos restantes, os Sidónios, os arvadeus, os hamateus, os arqueus, os sineus e os zemareus, bem que podem estar incluídas no termo abrangente “cananeus”, frequentemente usado em associação com os nomes específicos de outras tribos, a menos que a expressão seja simplesmente usada para se referir a cidades ou a grupos que possuíam uma população cananéia mista. (Êx 23:23; 34:11; De 7:1; Núm 13:29) Todas essas 6 tribos parecem ter estado primariamente situadas ao Norte da região que originalmente foi conquistada pelos israelitas e não recebem menção específica no relato da conquista.
Conquista de Canaã por Israel. No segundo ano depois do Êxodo, os israelitas fizeram uma tentativa inicial de penetrar nas fronteiras meridionais de Canaã, mas, fizeram isso sem apoio divino, e foram postos em debandada pelos cananeus e seus aliados amalequitas. (Núm 14:42-45) Perto do fim do período de 40 anos de peregrinação, Israel novamente avançou em direcção aos cananeus e foi atacado pelo rei de Arade, no Negebe, mas, desta vez, as forças cananéias foram derrotadas e suas cidades foram destruídas. (Núm 21:1-3) Assim mesmo, os israelitas não deram sequência a esta vitória com uma invasão pelo Sul, mas deram a volta para aproximar-se pelo Este. Isto os colocou em conflito com os reinos amorreus de Síon e de Ogue, e a derrota desses reis colocou toda Basã e Gileade sob controle israelita, inclusive 60 cidades “com muralhas altas, portas e trancas”, somente em Basã. (Núm 21:21-35; De 2:26–3:10) A derrota desses poderosos reis teve um efeito debilitante sobre os reinos cananeus a Oeste do Jordão, e a subsequente travessia milagrosa do Jordão, a pé enxuto, pela nação israelita, fez com que o coração dos cananeus ‘começasse a derreter-se’. Assim, os cananeus não atacaram o acampamento israelita em Gilgal durante o período da recuperação de muitos dos varões israelitas que foram circuncidados, e durante a subsequente celebração da Páscoa. — Jos 2:9-11; 5:1-11.
Podendo então conseguir água em abundância do Jordão, e obter suprimentos alimentares da região conquistada a Leste do Jordão, os israelitas em Gilgal tinham boa base para se lançar à conquista da terra. Jericó, a vizinha cidade de posto avançado, já rigorosamente fechada, foi seu primeiro alvo, e suas fortes muralhas caíram pelo poder de Deus. (Jos 6:1-21) Daí, as forças invasoras subiram uns 1.000 m na região montanhosa ao Norte de Jerusalém, e, depois dum revés inicial, capturaram Ai e a incendiaram. (Jos 7:1-5; 8:18-28) Ao passo que os reinos cananeus em todo o país começaram a formar uma coligação maciça para repelir os israelitas, certas cidades dos heveus procuraram então a paz com Israel por meio dum subterfúgio. Esta submissão por parte de Gibeão e de outras três cidades vizinhas foi, evidentemente, considerada pelos outros reinos cananeus como um ato de traição, pondo em perigo a unidade da inteira ‘liga cananéia’. Cinco reis cananeus, portanto, uniram-se para lutar, não contra Israel, mas contra Gibeão, e as tropas israelitas, sob Josué, empreenderam uma marcha durante toda a noite para salvar a cidade sitiada. A derrota infligida por Josué aos cinco reis atacantes foi acompanhada por uma saraivada milagrosa de enormes pedras tendo também Deus providenciado a demora do pôr-do-sol. — Jos 9:17, 24, 25; 10:1-27.
As vitoriosas forças israelitas investiram então contra toda a metade sul de Canaã (excepto as planícies da Filístia), conquistando as cidades da Sefelá, a região montanhosa e o Negebe, e então voltaram ao seu acampamento-base em Gilgal, junto ao Jordão. (Jos 10:28-43) Daí, os cananeus no sector norte, sob a liderança do rei de Hazor, começaram a juntar suas tropas e seus carros de guerra, unindo suas forças num encontro junto às águas de Merom, ao Norte do mar da Galiléia. O exército de Josué, porém, fez um ataque de surpresa à confederação cananéia, e os pôs em fuga, após o que marchou para capturar as cidades deles, tanto ao Norte quanto Baal-Gade, ao sopé do monte Hermom. (Jos 11:1-20) A campanha evidentemente abrangeu considerável período de tempo e foi seguida por outra ofensiva na região montanhosa no Sul, ataque dirigido contra os gigantescos anaquins e suas cidades. — Jos 11:21, 22;
Já se haviam passado então uns seis anos desde o começo da luta. A parte principal da conquista de Canaã já tinha sido realizada, e a força das tribos cananéias tinha sido quebrantada, permitindo assim o início da distribuição. No entanto, diversas regiões ainda precisavam ser subjugadas, inclusive sectores importantes, tais como o território dos filisteus, os quais, embora não fossem cananeus, eram usurpadores da terra prometida aos israelitas; o território dos gesuritas (veja 1Sa 27 o território da região ao redor de Sídon, subindo até Gebal (Biblos), e toda a região do Líbano (Jos 13:2-6). Além destas, havia bolsas de resistência espalhados por todo o país, alguns dos quais foram mais tarde capturados pelas tribos herdeiras de Israel, ao passo que outros continuaram sem ser conquistados, ou se permitiu que permanecessem, sendo obrigados a fazer trabalhos forçados para os israelitas. — Jos 15:13-17; 16:10; 17:11-13, 16-18; Jz 1:17-21, 27-36.
Embora tantos cananeus sobrevivessem à principal conquista e resistissem à subjugação, ainda se podia dizer que “Deus deu, pois, a Israel toda a terra que havia jurado dar aos seus antepassados”, que lhes deu “descanso em todo o redor”, e que “não falhou nem uma única de todas as boas promessas que fizera à casa de Israel; tudo se cumpriu”. (Jos 21:43-45) Em todo o redor dos israelitas, os povos inimigos estavam amedrontados e não constituíam nenhuma genuína ameaça para a segurança deles. Deus havia declarado anteriormente que expulsaria os cananeus “pouco a pouco”, para que os animais selvagens não se multiplicassem de repente numa terra desolada. (Êx 23:29, 30; De 7:22) Apesar do superior equipamento de guerra dos cananeus, inclusive carros de guerra com foices de ferro, qualquer falha dos israelitas, de finalmente não tomarem certas regiões, não podia ser atribuída a Deus como falha da sua parte em cumprir a sua promessa. (Jos 17:16-18; Jz 4:13) Antes, o registo mostra que as poucas derrotas dos israelitas se deviam à infidelidade deles. — Núm 14:44, 45; Jos 7:1-12.
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